ANTIGO QUARTEL DE BOMBEIROS DE BARCARENA, 2024
O projeto que aqui se apresenta corresponde à Reabilitação do Antigo Quartel de Bombeiros de Barcarena, promovida pela Câmara Municipal de Oeiras, com o objetivo de preservar este edifício e de o dotar de condições para a utilização pela Junta de Freguesia de Barcarena com quatro salas para atendimento ao público ou formação e uma sala polivalente para sessões de assembleia de freguesia e outros eventos.
O edifício construído na primeira metade do século XX, provavelmente só com alvenarias portantes, terá sido ampliado com um novo piso na segunda metade com estrutura em betão armado. Perante o desafio de introduzir uma nova função e vivência num edifício cujo interior tem muitas patologias, a estratégia foi olhar para a pré-existência, considerando manter os elementos essenciais e permanentes: a estrutura interior de betão armado e as paredes exteriores de alvenaria de pedra. Esta liberdade provém também da nudez do edifício que não tem elementos arquitetónicos ou decorativos no interior para preservar. A partir daqui, desenvolveu-se uma proposta com estes objetivos: atribuir aos espaços conforto e qualidade espacial e organizar o programa funcional no edifício.
Para a reorganização do edifício estudou-se a introdução de objetos independentes do ponto de vista formal e estrutural que separassem os espaços definindo um dentro e um fora, o espaço comum e o reservado. Estes objetos poderiam integrar painéis móveis ou fixos, opacos ou transparentes.Estes objetos em madeira, com uma marcação e modularidade vertical diferenciam-se das paredes com revestimentos contínuos em tons claros. A planta originada pelos edifícios em redor é poligonal irregular, o que é um desafio para a subdivisão do espaço. Foi importante definir de direções de trabalho, as linhas mais fortes do edifício, para organizar espaços de forma racional e ortogonal, com margem para a exceção. As ligações entre os espaços são demonstrativas do seguimento dos objetivos de projeto. Todas as paredes criadas para além das divisórias de madeira serão em sistemas leves, com o objetivo de não sobrecarregar a estrutura.
Em torno de todo o edifício é proposta uma “pele interior” com alguma espessura que proporcione um reforço do isolamento térmico e acústico e a regularização das paredes existentes, reforçando a ortogonalidade possível entre paredes. Esta pele pode ter funções de reforço estrutural se a análise a necessidade de encamisamento das paredes de alvenaria com uma armadura e betão. As caixilharias mantêm-se em metal, mas a profundidade dos vãos é enfatizada com aros metálicos que rematam o vão e que protegem o vidro da radiação solar. A escada faz parte da estrutura em betão e por isso deverá ser mantida e regularizada para ter degraus regulamentares. A regularização de paredes e tetos em torno da escada são um gesto que parte da sua posição de charneira entre direções oblíquas e recorda a presença dos arcos na torre do quartel.
Arquitetura: Maria João Patronilho | Hugo Casanova | Mariana Morais
Tiago Cascalho | Rita Espanha da Cunha
Engenharia: Dimest
Fotografia: Atelier66 | Hugo Casanova (Maquetes)
Visualizações Digitais: Atelier66 | Tiago Cascalho














