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CASA DO MAR, OEIRAS, 2023

A “Casa do Mar”, propriedade do Município de Oeiras, foi concebida como “Pavilhão de Recreio”, para o Dr. Augusto Soares, por Porfírio Pardal Monteiro (1), não se destinando a habitação, tendo apenas uma garagem, instalações sanitárias e salas de estar. Este edifício está construído na Avenida Ivens (Marginal), na zona do Dafundo, uma zona característica para casas de veraneio no início do século XX.

Pardal Monteiro assinou o projeto do pavilhão de recreio com 27 anos. O projeto tinha traços art déco presentes também em moradias projetadas pelo arquiteto. No entanto, a versão construída acabou por ser uma simplificação do projeto, com utilização de soluções típicas. O único edifício de Pardal Monteiro de que há registo em Oeiras, é também raro exemplar da construção de veraneio no Dafundo.

Com base em trabalhos de levantamento, inspeção e diagnóstico chegou-se a um projeto guiado pelas intenções do proprietário, que pretende manter flexibilidade de uso e as características do espaço, valorizando a casa através da sua utilização.

Aproximamo-nos da Casa do Mar com respeito, pelas intenções originais dos arquitetos, pelo saber ali aplicado e pela marca que a casa deixou no Dafundo. Na reabilitação é importante manter e recuperar, mas com o objetivo de dar ao espaço condições para uma utilização contemporânea ou de o adaptar a um novo uso. Também é importante ler o objeto, já alterado ao longo do tempo e discernir o que manter, reverter e adicionar.

No caso da Casa do Mar, um edifício constituído em grande parte por um espaço amplo – que se pretende transformar em escritório de plano aberto – e por salas de estar – que se pretende que tenham a função de reuniões e acolhimento - não há exigências que obriguem a alterações da compartimentação do espaço. Há, pois, então, para além da reabilitação estrutural e arquitetónica geral da casa, a necessidade de criar nestes espaços as condições técnicas, luminosas, térmicas, estéticas para um local de trabalho contemporâneo.

Pretende-se que o piso térreo não perca a natureza de garagem, caracterizada pelos acabamentos crus do pavimento em betão e da abobadilha de tijolo e vigas metálicas à vista. A instalação sanitária encontra-se descaracterizada, por isso consente-se a sua reorganização. O piso 1 é composto por salas de estar, com tetos decorados em estuque e lambrins e guarnições em madeiras. Tem na maioria da sua área um soalho de madeira. A intervenção privilegiará a conservação dos elementos decorativos originais, aproveitando o desvão do soalho de madeira para passar infraestruturas. Este piso tem uma varanda que, estando fechada com caixilharias, não terá sido assim originalmente. Neste piso há uma copa, cuja função se manterá e onde os revestimentos são aparentemente os originais. A cobertura será substituída e a sua estrutura recuperada, pois daí advém grande parte do estrago sofrido pelo edifício ao longo dos últimos tempos.

(1) Processo de obra nº 45/1924, Arquivo Municipal de Oeiras

Arquitectura: Maria João Patronilho | Hugo Casanova | Sofia Artemych | Tiago Cascalho

Engenharia: DIMEST

Visualizações Digitais: Atelier66

Desenhos para publicação: Tiago Cascalho | Hugo Casanova

© 2025 ATELIER66 

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