CONCURSO PÚBLICO DE CONCEÇÃO PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DO MERCADO DOS OLIVAIS – CÉLULA B, 2024
Partindo da continuidade ao nível térreo que existe no Bairro dos Olivais, inspirado pela carta de Atenas, o primeiro objetivo é que este edifício público seja permeável à circulação pedonal, integrando-se no espaço urbano do bairro. No conjunto edificado envolvente importa especialmente o atravessamento do mercado, como forma de ligação às galerias comerciais existentes e aos acessos à cota superior. A permeabilidade favorece a vida económica, social e cultural do bairro e o mercado é um agregador que distribui para os espaços em redor.
A abordagem escolhida para criar permeabilidade foi implantar as funções de carácter reservado no interior de volumes independentes e de dimensão variável, entre os quais se desenvolvem as áreas públicas, criando um jogo em que os vazios se tornam relevantes. A variação dos espaços entre volumes cria tensões e alargamentos consoante as funções que lhes correspondem. Em continuidade com o espaço público em redor, surgem entre volumetrias, as zonas de circulação, a própria praça de frescos e ainda larga praça pública coberta, destinada a atividades, convívio e descanso, que estabelece franca ligação visual e pedonal entre a Avenida e a Praceta.
A partir da leitura do programa em articulação com o conceito base da proposta, organizaram-se as funções dentro das volumetrias, tendo particular atenção à sua localização no conjunto, para cumprimento das necessidades funcionais. As áreas de circulação com dois portões, um interior e outro exterior, respondem ao requisito de acesso independente pelo exterior a alguns compartimentos e à hipótese de abertura de áreas diversas em horários diferentes: abastecimento, mercado de frescos, lojas e eventos.
Nos trabalhos de Chillida encontramos uma representação da ideia base da organização do mercado: o plano de fundo é contínuo e independente dos volumes. Os volumes são ordenados por uma malha ortogonal que contrasta com os percursos orgânicos das pessoas entre eles, recordando literalmente o título de Jan Gehl sobre a vida na cidade: “a vida entre edifícios”. Na obra de Rachel Whiteread através do molde, o vazio dos objetos ganha importância: preenchido com uma massa orgânica, colorida e viva. A diferenciação entre materiais, cores e transparência que observamos na sua obra ajuda a ler a proposta para a cobertura.
Às estruturas maciças ligadas ao terreno, sobrepõe-se um volume mais transparente, aligeirando as cargas a suportar. A cobertura solta-se dos limites dos volumes que a suportam e desenha o perímetro do mercado, não delimitado por paredes. A partir da imagem tradicional de mercado, propõe-se uma larga cobertura comum, agregadora de funções, volumetrias e pessoas. A sua visibilidade a partir de vários pontos elevados sugeriu que a cobertura, além de área técnica e de aproveitamento solar, fosse um espaço para agricultura em meio urbano, em benefício do ambiente e da comunidade.
Em síntese, o edifício é formado por volumes que encerram as funções programáticas mais restritas e pelo espaço entre os volumes, onde se desenvolvem as atividades públicas, em especial o mercado de frescos e a praça pública coberta, em contínuo com o espaço urbano.
Arquitetura: Maria João Patronilho | Hugo Casanova | Mariana Morais | Tiago Cascalho
3D: Cuco Studio
Arquitetura Paisagista: Bruno Costa
Fundações e Estruturas: Luís Sequeira
Águas e Esgotos: Paulo Gonçalves
Instalações e Equipamentos Elétricos e de Comunicações e Segurança:Tiago Amorim
AVAC e Desempenho Energético: Tiago Oliveira


















