VILA MILU, ESTORIL, 2020-2023
A Vila Milu na Galiza, Estoril, estava em estado de ruína em 2020 quando foi encontrada pelo nosso cliente que decidiu transformá-la em habitação para si. A casa já não reunia condições de habitabilidade e era quase um vestígio histórico numa zona de grande variedade arquitetónica. Propôs-se a sua reabilitação com uma estratégia de recuperação material e clarificação das suas características formais e uma ampliação para um novo volume com forma e materialidade distintas, marcadamente contemporâneas.
Foram demolidos anexos, telheiros e elementos adossados como a escada exterior, para reforçar a leitura da casa original. Por razões estruturais e de inadequação às condições de habitação foi demolido o interior da casa, mas para manter e valorizar a forma original da casa fez-se o reforço e reparação das paredes exteriores, com um revestimento em cor aproximada ao original, a substituição da cobertura com telha cerâmica idêntica e manteve-se maioria dos vãos exteriores, na sua forma, com as cantarias em pedra, substituindo os caixilhos. Abriram-se dois novos vãos, nas fachadas poente e nascente ao nível do 1.º piso, diferenciando a época de intervenção pela forma e dimensões distintas.
O volume de ampliação da casa desenvolve-se no piso térreo, de forma compacta e bem definida, adossado aos lados norte e poente, abrindo-se ao logradouro com envidraçados. Pretende-se que se destaque do edifício existente e assinale a época de intervenção, por isso apresenta uma forma, material e cor distintos, com revestimento em aglomerado negro de cortiça. O novo corpo, aumenta a área interior da habitação e permite melhor organização e iluminação. Ao mesmo tempo organiza e cria diferentes espaços no exterior: uma área a norte com dois pinheiros mansos existentes; uma área a sul, mais ampla e de vivência exterior; e ainda um novo espaço na própria cobertura, ao nível do piso 1.
Interiormente, fez-se uma remodelação e reorganização completa dos espaços e percursos interiores, procurando uma melhor distribuição funcional e espaços de maior dimensão, iluminação e fluidez. Neste sentido introduziu-se uma escada de ligação vertical no interior e procurou-se, uma continuidade espacial e material no interior, entre o existente e o novo. No piso térreo dispõem-se os espaços essenciais da habitação que se voltam para o jardim a sul. O piso superior é um espaço único e independente porque é servido por uma instalação sanitária.
No espaço exterior a zona de estar gerada pelo novo volume é rematada no lado oposto por uma piscina na mesma matéria que os pavimentos interiores. Os caminhos foram desenhados com recurso à pedra proveniente das demolições. Atravessam o jardim até ao anexo-atelier, construído num recanto do lote existente com a gramática construtiva do novo volume, estabelecendo uma relação visual.
Arquitetura: Maria João Patronilho | Pedro Guerra
João Antunes | Hugo Casanova
Engenharia: 360 Eng
Arquitetura Paisagista: Alfobre | Bruno Costa
Fotografia: Atelier66 | Mariana Morais, Hugo Casanova, Maria João Patronilho
Desenhos para Publicação: Atelier66 | Mariana Morais
















































